O impacto do Programa Inspira sobre o aprendizado, Por Renan Pieri

Pesquisa educação e Tecnologia

Há algumas semanas foi divulgado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) para a edição de 2015. Os resultados mostraram um quadro bastante incômodo para a Educação Básica do país. Embora houve melhora nos anos iniciais do Ensino Fundamental, os anos finais e o Ensino Médio de escolas públicas e particulares não conseguiram, na média, atingir as metas estabelecidas pelo Ministério da Educação. E com um agravante para as turmas de Ensino Médio que tiveram queda no desempenho.

São muitos os fatores que explicam o sucesso de uma rede em maximizar o aprendizado de seus alunos. Uma boa formação dos profissionais da equipe, planejamento adequado das aulas e um ambiente de trabalho focado no pedagógico são algumas das iniciativas que se destacam entre as escolas com melhor desempenho. E, mais importante, as escolas com bons indicadores tem como rotina a partilha das dificuldades pedagógicas entre os professores, buscando novas soluções que busquem aperfeiçoar as aulas.

Mas procurar novas soluções em um cenário de crise econômica requer mais critério nas decisões de investimento. Com um orçamento enxuto, o gestor muitas vezes se vê tendo que escolher entre várias ferramentas que estão no mercado, sem conseguir avaliar perfeitamente quais delas terão resultado prático no aprendizado de seus alunos.

 

É nesse sentido que entra a metodologia de avaliação de impacto de projetos educacionais. Para avaliar um produto educacional, acompanha-se uma intervenção em uma escola (ou rede escolar) onde alunos e professores o utilizam por um período de tempo. Passado o período, avalia-se a evolução do desempenho dos alunos comparando-os com a evolução no mesmo período de um grupo de escolas semelhante (nível socioeconômico, região, formação dos professores) que não sofreu a intervenção, ou seja, não utilizou o produto no período. A essa comparação denomina-se o impacto que o produto teve no aprendizado dos alunos.

Um exemplo de solução educacional avaliada é o Programa Inspira. O Inspira foi lançado pela Evobooks em 2015 e é um pacote de conteúdos que inclui interatividade digital 3D, treinamento para os professores e livro de exercícios para os alunos. Dois casos foram avaliados: a implementação do Inspira para os anos iniciais do fundamental das escolas municipais de Botucatu e para os anos finais do fundamental do colégio Stance Dual, do município de São Paulo.

Em ambos os casos encontrou-se efeito positivo do Inspira sobre as notas dos alunos. Os resultados foram padronizados para se tornar comparáveis. Para isso, para cada disciplina dividiu-se o acréscimo em notas produzido pelo desvio padrão das notas. Para as escolas públicas, os resultados (em porcentagem de um desvio padrão) foram observados para as seguintes disciplinas: português (14%), matemática (16%), história (14%) e ciências (21%). Para termos alguma régua de comparação, a literatura considera o impacto de ter biblioteca em sala de aula como 10% de um desvio padrão e de ter internet na escola como 12%.

Também se avaliou o impacto sobre o IDEB 2015 para o 5º ano. As escolas municipais de Botucatu já tinham um IDEB superior em relação a escolas municipais comparáveis em edições anteriores do IDEB. Por isso, o tratamento estatístico implementado “limpou” essas diferenças pré-existentes para averiguar apenas a contribuição do produto. Com isso, o impacto do Inspira foi de um acréscimo de 0,27 pontos, ou 52% do aumento total do IDEB de Botucatu entre 2013 e 2015.

Para o colégio Stance Dual, também se observou correlação positiva entre a adoção do Inspira e as notas. Artes, Matemática, Ciência, Informática, História e Geografia foram as disciplinas em que os alunos tiveram progresso.

Por fim, apesar dos diversos efeitos observados sobre aprendizado, ainda vale a questão sobre o custo-benefício do produto inicialmente levantada. É comum em debates educacionais discutir-se o desempenho de um projeto ou produto mas sem levar em consideração se este cabe no bolso do contratante.

Para direcionar a questão, transformamos o acréscimo em proficiência gerado pelo programa em salários que os alunos terão no futuro e estimamos (a partir de dados populacionais e parâmetros adequados) qual seria a Taxa de Interna de Retorno (TIR) do investimento. A TIR é uma medida usada em análise de investimentos que permite comparar oportunidades de negócios. Como resultado, encontrou-se no cenário mais conservador uma TIR de 16%. Isso significa que a cada 1 real investidos na aquisição do produto, o contratante obtém 16 centavos de lucro contabilizados na forma de retornos financeiros futuros para os estudantes para além do que já ganhariam.

Por:  Renan Pieri. (Educação, Economia e Política)
Acesse: www.renanpieri.com.br

 

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